Golpes virtuais se sofisticam e atingem usuários em redes sociais e WhatsApp
Um novo e sofisticado golpe tem circulado por meio de mensagens diretas no Instagram, atingindo influenciadores, pequenas empresas, criadores de conteúdo e também usuários que utilizam a rede apenas para comunicação no ambiente digital. A fraude pode resultar no sequestro de contas após interações com perfis falsos que se passam por suporte técnico da Meta e, em muitos casos, está associada a outras práticas criminosas, como a clonagem de contas de WhatsApp.
Esse tipo de ação representa um risco significativo para quem utiliza as redes sociais como canal de visibilidade, geração de renda e relacionamento com o público. Segundo especialistas, trata-se de um esquema bem estruturado, que simula com alto grau de fidelidade a comunicação do “Centro de Ajuda de Anúncios da Meta”.
Ao se apresentarem como representantes oficiais, os golpistas exploram o medo de perda do perfil para induzir decisões rápidas e sem a devida verificação. A partir desse primeiro contato, a vítima pode ser levada a fornecer dados sensíveis, clicar em links maliciosos ou até informar códigos de verificação — o que abre caminho para outras fraudes, como a clonagem do WhatsApp.
Nesse tipo de golpe, os criminosos assumem o controle da conta da vítima e passam a se comunicar com seus contatos, geralmente solicitando dinheiro de forma urgente. A abordagem costuma envolver engenharia social, em que o fraudador se passa por uma empresa, instituição ou até por alguém conhecido, solicitando o código de segurança enviado por SMS.
Além disso, criminosos também têm intensificado o chamado “golpe do emprego”, ampliando o alcance das fraudes digitais. Nesse caso, utilizam e-mails, redes sociais e aplicativos de mensagem para oferecer vagas com salários elevados, benefícios atrativos e tarefas simples, supostamente vinculadas a empresas conhecidas.
Após o primeiro contato, solicitam que a vítima acesse links para inscrição, o que pode resultar na instalação de vírus (malware) ou no roubo de dados por meio de formulários falsos. Em outras situações, exigem pagamentos antecipados para cursos, exames admissionais ou taxas de intermediação, pressionando a vítima a agir rapidamente para não perder a oportunidade.
Em conversa com a equipe de jornalismo da Rádio Universal, a delegada Aline Dequi Palma, diretora da 14ª Delegacia Regional do Interior, frisa que os criminosos têm atuado de forma cada vez mais organizada e estão espalhados por todo o país, o que dificulta a identificação e punição. “Hoje em dia, os golpistas operam com estrutura empresarial, utilizando inclusive Inteligência artificial para criar comunicações perfeitas e vídeos falsos. Por isso, a prevenção e a desconfiança são fundamentais antes de qualquer ação. A orientação é redobrar a atenção diante de contatos inesperados, da urgência do contato e sempre verificar a autenticidade das informações e informar as pessoas mais próximas sobre o golpe”, alerta a delegada, lembrando que é de suma importância que se faça o registro em uma delegacia.
Entre os golpes mais comuns registrados atualmente em aplicativos como o WhatsApp estão o falso parente pedindo dinheiro, a clonagem de contas por meio do roubo de códigos enviados por SMS, falsas cobranças de entrega, promoções inexistentes e até o uso de inteligência artificial para simular voz ou vídeo. Em todos os casos, o objetivo é o mesmo: enganar a vítima para obter dados, acesso a contas ou transferências financeiras, geralmente via Pix.
Ainda de acordo com a delegada, é importante frisar que a vítima não deve se sentir culpada por ter caído em um golpe. "Os golpistas usam da manipulação psicológica para ludibriar a vítima, é um verdadeiro esquema técnico e psicológico. A vítima, muitas vezes, não faz o registro por vergonha, o que leva à subnotificação e a maior dificuldade em identificar as quadrilhas", acrescenta.
Como se prevenir
Desconfie de propostas muito vantajosas: salários altos para funções simples são um dos principais sinais de golpe.
Custo zero: empresas legítimas não cobram por processos seletivos, exames ou treinamentos.
Verifique a origem: confira se o e-mail possui domínio oficial e se o recrutador realmente está vinculado à empresa.
Utilize canais oficiais: em caso de dúvida, busque a vaga diretamente no site da empresa ou em plataformas confiáveis.
Proteja seus dados: evite enviar documentos antes da confirmação da contratação.
Não faça tranferências: se você recebeu uma mensagem solicitando dinheiro de uma amigo ou parente, se certifique antes.
Ative a autenticação em dois fatores: recurso essencial para evitar acessos indevidos.
Não interaja com mensagens suspeitas: não clique em links, não baixe arquivos e não responda.
Bloqueie e denuncie: reporte o perfil ou contato nas plataformas utilizadas.
Registre ocorrência: caso tenha sido vítima, procure uma delegacia, preferencialmente especializada em crimes cibernéticos.
Publicado por

Susi Cristo
jornalismo@universallfm.com.br
Publicado em: 22/04/2026, 14:30
Rádio Universal
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