Morre o cantor missioneiro Pedro Ortaça
A cultura gaúcha amanheceu de luto neste dia 29 de maio, com a notícia da morte de Pedro Ortaça, um dos maiores nomes da música missioneira e referência do nativismo no Rio Grande do Sul.
O cantor, compositor e violonista morreu aos 83 anos, deixando uma trajetória marcada pela defesa das tradições gaúchas, da cultura das Missões e pela valorização das raízes regionais por meio da música.
Segundo a família, o artista sofreu complicações após passar por uma cirurgia de amputação de uma das pernas. Ele teve uma parada cardiorrespiratória no início da madrugada e outras duas por volta das 4 horas. No ano passado, já havia passado pela amputação da outra perna.
Reconhecido pela voz marcante, pelas letras carregadas de identidade cultural e pela ligação profunda com a terra missioneira, o músico construiu uma carreira que atravessou décadas e influenciou gerações de artistas. Seu trabalho ultrapassou as fronteiras do Rio Grande do Sul, ajudando a projetar a música regional brasileira para diferentes públicos do país e da América do Sul.
O nativista foi um dos responsáveis por consolidar a música missioneira como um dos mais importantes movimentos culturais do Sul do Brasil. Suas composições mantinham forte ligação com o cotidiano do povo gaúcho, os costumes campeiros e a memória histórica da região das Missões.
Ao longo da carreira, transformou experiências do homem do campo em poesia cantada. Suas letras abordavam temas como identidade, tradição, fronteira, história e pertencimento. Era comum que suas canções retratassem os Sete Povos das Missões, a vida rural e a preservação da cultura gaúcha.
Seu estilo musical carregava forte influência regional, unindo poesia, violão e interpretação emotiva. Essa autenticidade fez com que se tornasse um dos maiores símbolos do regionalismo gaúcho.
A morte de Pedro Ortaça encerra um capítulo importante da música regional brasileira, mas seu legado permanece vivo por meio das composições, dos discos e da influência exercida sobre novas gerações de artistas.
Seu nome ficará marcado como um dos maiores representantes da música missioneira e do nativismo gaúcho. As canções interpretadas ao longo da carreira seguem como símbolo de resistência cultural e valorização das tradições do Sul do Brasil.
Mesmo após sua partida, o cantor missioneiro continuará presente na memória cultural do Rio Grande do Sul, especialmente entre aqueles que enxergam na música regional uma forma de preservar história, identidade e pertencimento.
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Susi Cristo
jornalismo@universallfm.com.br
Publicado em: 29/05/2026, 08:47
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