Probabilidade de El Niño muito forte sobe para 81% e fenômeno pode ser o mais intenso desde 1950

Probabilidade de El Niño muito forte sobe para 81% e fenômeno pode ser o mais intenso desde 1950
(Foto: Divulgação)

O mais recente boletim da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) revela que aumentou de forma significativa o risco de um El Niño "muito forte" no final deste ano. Como o fenômeno está associado ao aumento das chuvas no Sul do Brasil, isso eleva o nível de alerta para possíveis cheias no Rio Grande do Sul.

De acordo com o relatório, há 81% de probabilidade de que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico fique pelo menos 2°C acima da média histórica, o que configuraria o chamado, informalmente, de "Super El Niño". Na atualização anterior, a entidade americana estimava em 63% a probabilidade de um episódio de grande intensidade e essa mudança sinaliza um agravamento do cenário, aumentando o risco de chuvas intensas, enchentes e deslizamentos de terra no Sul do país.

Os especialistas concluem que o fenômeno deve continuar e se fortalecer até o final deste ano, com 97% de chance de persistir até o início da primavera de 2027.

Impactos na agricultura

Além dos impactos sobre o volume de chuvas, o El Niño também acende um alerta para a agricultura brasileira, especialmente para as lavouras de soja e milho, as duas principais culturas do país.

O período entre julho e setembro é considerado decisivo por anteceder o início do plantio da soja. Caso as chuvas ocorram de forma irregular, produtores podem ser obrigados a replantar áreas e adiar a semeadura, comprometendo o calendário agrícola.

Os efeitos também se estendem ao milho de segunda safra. Um plantio mais tardio da soja reduz a janela ideal para o cultivo do cereal, aumentando a exposição da cultura à falta de chuvas no fim do ciclo. O mesmo cenário pode afetar ainda as lavouras de algodão.

Em 2024, último ano de ocorrência do El Niño, cerca de 2,9 milhões de hectares de soja precisaram ser replantados no Brasil em razão de problemas climáticos. No Sul do país, além dos prejuízos à implantação das lavouras, a combinação de calor e chuvas acima da média eleva o risco de enchentes e favorece a incidência de doenças fúngicas em culturas como soja, milho, trigo, arroz e tabaco.

Diante desse cenário, meteorologistas reforçam a necessidade de que os setores público e privado do Rio Grande do Sul adotem medidas preventivas, como a elaboração de planos de contingência, o monitoramento constante das condições climáticas, a emissão de alertas e a continuidade das obras de contenção, muitas das quais ainda demandarão mais tempo para serem concluídas.

Suseli Cristo

Suseli Cristo

jornalismo@universalfm.com.br

Publicado em: 13/07/2026, 11:50