Temporal que atingiu Frederico Westphalen foi provocado por uma microexplosão atmosférica

Temporal que atingiu Frederico Westphalen foi provocado por uma microexplosão atmosférica
(Foto: Divulgação)

O temporal que atingiu Frederico Westphalen na tarde de terça-feira, 21, foi provocado por uma microexplosão atmosférica, fenômeno meteorológico também conhecido como downburst. A conclusão é do professor-doutor em Hidrologia, Edner Baumhardt, docente do curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), campus de Frederico Westphalen, que analisou os registros meteorológicos e o padrão dos danos causados pela tempestade.

Conforme os dados da estação meteorológica do Aeroclube de Frederico Westphalen, foram registradas rajadas de vento de até 109 km/h e um acumulado de 75 milímetros de chuva durante o evento. No entanto, de acordo com o professor, a intensidade dos ventos nas áreas mais atingidas pode ter sido ainda maior. "Eu acredito, no entanto, que provavelmente tenha chegado a mais de 130 km/h, pois onde está a estação não foi o ápice dos estragos. Essa velocidade de vento é compatível com tornados EF0 e EF1, em nível de estragos", afirmou Baumhardt.

Segundo o pesquisador, a microexplosão é um fenômeno associado às nuvens de tempestade do tipo cumulonimbus, que podem atingir entre 12 e 14 quilômetros de altura. Nessa situação, uma intensa corrente de ar frio desce rapidamente do interior da nuvem em direção ao solo e, ao atingir a superfície, espalha-se de forma horizontal, gerando ventos extremamente fortes em uma área relativamente pequena.

O professor explica que essa dinâmica é diferente da observada nos tornados. "Ao contrário do tornado, que são ventos ascendentes, a microexplosão é uma corrente de ar frio que desce com muita força e forma uma cortina muito intensa de vento e chuva", destacou.

Análise dos estragos reforçou a conclusão

Além dos dados registrados pela estação meteorológica, Baumhardt levou em consideração os danos observados em Frederico Westphalen. Conforme o especialista, a forma como telhados foram arrancados, árvores caíram e destroços ficaram espalhados indica um padrão característico das microexplosões.

– Pelas características, pelas imagens, pela forma como destruiu os telhados da cidade e pelo direcionamento dos detritos e das árvores que caíram, a gente consegue enxergar um direcionamento do vento. Então, isso provavelmente tenha sido, sim, uma microexplosão – explicou.

O professor também comentou a quebra de vidraças registrada durante o temporal. Segundo ele, as bruscas oscilações na velocidade do vento provocam vibrações nas estruturas, especialmente em grandes fachadas de vidro, podendo causar fissuras nos pontos de fixação e, consequentemente, o rompimento dos painéis.

Fenômeno é difícil de prever

Embora os meteorologistas já indicassem condições favoráveis para tempestades severas na região, Baumhardt ressalta que a ocorrência exata de uma microexplosão é difícil de ser prevista.

Além de Frederico Westphalen, municípios como Três Passos, Tenente Portela, Vista Alegre e Palmitinho também registraram transtornos provocados pelo avanço da instabilidade.

O pesquisador lembra que episódios semelhantes já ocorreram no município e alerta para a tendência de aumento na frequência de eventos extremos. "Já aconteceu outras vezes em Frederico, em 2019. Há alguns anos também ocorreu outro episódio que causou grandes estragos em lojas da área central. Trata-se de uma cortina de vento que desce de uma nuvem de tempestade severa. Em alguns casos, pode vir acompanhada de granizo, o que não ocorreu desta vez. Primeiro veio o vento e depois a chuva intensa. Esses eventos tendem a se tornar mais frequentes em razão das mudanças nas condições climáticas e da influência do El Niño", concluiu.

Suseli Cristo

Suseli Cristo

jornalismo@universalfm.com.br

Fonte: Com informações de Heloise Santi - Grupo Chiru

Publicado em: 22/07/2026, 15:38