O Canto Alegretense nunca mais será o mesmo: RS se despede de Bagre Fagundes

O Canto Alegretense nunca mais será o mesmo: RS se despede de Bagre Fagundes
(Foto: Emílio Pedroso/Divulgação)

O Rio Grande do Sul perdeu, neste domingo, 2 de agosto, uma de suas maiores referências culturais. Morreu, aos 86 anos, o tradicionalista, músico e compositor Bagre Fagundes, eternizado como um dos autores do Canto Alegretense, canção que se tornou um verdadeiro hino da identidade gaúcha e atravessou gerações.

A notícia da morte provocou grande comoção nas redes sociais, onde artistas, entidades tradicionalistas, autoridades e admiradores prestaram homenagens ao legado deixado por Bagre. O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) lamentou a perda e destacou que "sua trajetória, sua obra e sua contribuição permanecerão vivas na memória e na cultura do Rio Grande do Sul".

O tradicionalista morreu em decorrência de complicações de uma parada cardiorrespiratória. Ele estava internado no Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre, desde maio, após se engasgar durante o almoço em sua casa.

Uma vida dedicada à cultura gaúcha

Nascido em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, em 3 de outubro de 1939, Euclides Fagundes Filho ganhou ainda na adolescência o apelido de "Bagre", nome que carregou por toda a vida e que se transformou em marca registrada da cultura gaúcha.

Ao lado do irmão Nico Fagundes, compôs o Canto Alegretense, uma das músicas mais emblemáticas do Estado. A obra ultrapassou os limites do tradicionalismo, tornando-se símbolo do orgulho gaúcho e levando o nome de Alegrete e da cultura sul-rio-grandense para todo o Brasil.

Muito além da música, Bagre construiu uma trajetória marcada pelo serviço público e pela valorização das tradições. Formado em Direito pela Universidade de Cruz Alta, foi vereador em Alegrete, jogador e árbitro de futebol, presidiu o Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF) e também atuou como colunista do jornal Diário Gaúcho.

Mesmo aos 86 anos, mantinha uma rotina ativa de apresentações. Subia aos palcos ao lado dos filhos Ernesto, Neto e Paulinho, integrantes do grupo Os Fagundes, levando adiante um legado construído em família e dedicado à preservação da música regional.

Conhecido pelo bom humor, costumava tratar a própria trajetória com leveza. Ao completar 80 anos, afirmou, em tom de brincadeira, que ainda não havia alcançado seu maior objetivo: "o de não fazer nada". A frase ficou marcada entre amigos e admiradores como um retrato de sua personalidade.

O reconhecimento pelo trabalho veio ainda em vida. Em 2019, recebeu uma homenagem especial da RBS TV pelos seus 80 anos e foi agraciado com o Troféu Origens, concedido a personalidades que se destacam na preservação da cultura regional.

Legado que atravessa gerações

Colorado apaixonado, Bagre também foi homenageado pelo Internacional. O clube dedicou a vitória conquistada neste domingo ao tradicionalista e lembrou sua história como conselheiro entre 2001 e 2012. "Conselheiro do Clube do Povo entre os anos de 2001 e 2012, Bagre será sempre lembrado por sua contribuição à cultura do nosso Estado e pela paixão pelo Inter", publicou o Internacional.

Com a partida de Bagre Fagundes, o Rio Grande do Sul perde uma voz que ajudou a contar sua história. Mas seu legado permanece vivo em cada verso do Canto Alegretense, nas apresentações de Os Fagundes e na memória de milhares de gaúchos que fizeram da canção uma declaração de amor à própria terra.

Suseli Cristo

Suseli Cristo

jornalismo@universalfm.com.br

Publicado em: 03/08/2026, 09:04