Pretinho, o cão que conquistou Rodeio Bonito, é atropelado e mobiliza comunidade por justiça

Pretinho, o cão que conquistou Rodeio Bonito, é atropelado e mobiliza comunidade por justiça
(Foto: Reprodução Rádio Universal)

Para muitas crianças, ele era o Bob. Para outras pessoas, o Pretinho. Havia também quem o chamasse de CãoPanheiro ou simplesmente de Amigo. Em Rodeio Bonito, o cão conquistou espaço na rotina de moradores, atletas e pessoas que encontravam nele uma companhia durante as caminhadas pelas ruas da cidade. Agora, sua história mobiliza a comunidade em busca de respostas e reforça o alerta sobre o respeito e a proteção aos animais.

Pretinho foi atropelado na noite de segunda-feira, 12, nas proximidades da Praça Gildo Possamai, em Rodeio Bonito. Conforme relatos de pessoas que conviviam com ele, o animal não recebeu atendimento após o ocorrido e foi uma "crueldade" o que fizeram. O caso provocou indignação e levou moradores a se mobilizarem nas redes sociais em busca de informações que possam ajudar a identificar o responsável.

Mais do que encontrar quem estava ao volante, a mobilização busca chamar a atenção para uma questão que não pode ser ignorada: animais também sentem dor, medo e sofrimento. Quando um atropelamento acontece, a responsabilidade não termina no impacto. Prestar socorro e buscar atendimento veterinário são atitudes fundamentais.

Uma história de abandono e acolhimento

A história de Pretinho comove ainda mais quando se conhece parte de sua trajetória. Em 2025, ele foi resgatado pelo professor de artes marciais Rodrigo Silva, depois de ser abandonado. O animal recebeu cuidados, foi castrado e chegou a ser levado para a casa do professor, que acolhe mais de 60 animais vítimas de abandono.

Apesar dos cuidados e da oportunidade de ter um lar, Pretinho não se adaptou à vida longe das ruas. Preferiu continuar circulando pela cidade, onde havia construído seus próprios laços. E, de alguma forma, encontrou em diferentes pessoas o acolhimento de que precisava.

Era um cão dócil, que recebia água, alimento e carinho de moradores. Tinha lugares onde podia descansar e acompanhava atletas durante os treinos pelas ruas, assim como pessoas que saíam diariamente para caminhar. Sua presença passou a fazer parte da rotina de quem cruzava seu caminho.

Pretinho não tinha um único dono, mas não era um desconhecido. Havia sempre alguém que o reconhecia, oferecia algo para comer, fazia um afago ou simplesmente parava por alguns instantes para lhe dar atenção.

Um companheiro na Corrida Pela Vida

No domingo pela manhã, um dia antes do atropelamento, Pretinho acompanhou todo o percurso da Corrida Pela Vida. Esteve junto dos participantes, como tantas outras vezes havia seguido pessoas pelas ruas de Rodeio Bonito.

A cena representa muito do que ele significava para quem o conhecia: um companheiro que, sem precisar de palavras, conquistava espaço e retribuía o carinho que recebia.

Naquela manhã, ele ainda estava presente entre corredores e moradores. Na noite seguinte, sua história ganhou um capítulo doloroso, que agora desperta tristeza, indignação e pedidos por respostas.

A perda de Pretinho deixa uma marca que vai além da morte de um animal comunitário. Ela lembra que a vida animal não deve ser tratada como algo descartável e que o respeito precisa estar presente também nas atitudes cotidianas, inclusive no trânsito.

Comunidade busca informações

As pessoas que conviviam com Pretinho pedem que qualquer informação sobre o atropelamento seja compartilhada com a Associação Protetora dos Animais (APA) ou comunicada à Delegacia de Polícia. As denúncias podem ser feitas de forma anônima, para que os fatos sejam apurados e o responsável possa ser identificado, caso sejam reunidos elementos suficientes.

A mobilização também é um apelo à conscientização. Quem presencia um atropelamento envolvendo um animal deve buscar meios de garantir o socorro, evitando que ele permaneça ferido e sem assistência. A responsabilidade com a vida não deve depender de o animal ter ou não um tutor.

Em Rodeio Bonito, Pretinho era chamado por muitos nomes, mas todos pareciam traduzir o mesmo sentimento: carinho. Para as crianças que o encontravam, para os atletas que dividiam com ele o caminho e para os moradores que lhe ofereciam cuidado, ele era parte da comunidade.

E talvez a lembrança mais dolorosa seja justamente essa: Pretinho passou a vida buscando companhia e encontrando afeto nas ruas. Agora, sua história deixa um pedido que precisa ser ouvido – que o respeito aos animais não fique apenas nas palavras e que nenhum ser vivo seja deixado sem assistência diante da dor.

*Matéria produzida por Susi Cristo/Rádio Universal

Susi Cristo

Susi Cristo

jornalismo@universalfm.com.br

Publicado em: 14/10/2026, 08:45