Butantan produzirá para o SUS imunoterapia indicada para 40 tipos de câncer
O governo federal anunciou uma parceria para produzir no Brasil uma das principais imunoterapias contra o câncer no mundo, o pembrolizumabe – medicamento já aprovado no país e indicado para quase 40 tipos diferentes da doença.
O acordo envolve o Ministério da Saúde, o Instituto Butantan e a farmacêutica MSD, e prevê a transferência de tecnologia para fabricação nacional do imunoterápico, com expectativa de ampliar o acesso ao tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje, embora amplamente utilizado na rede privada, o medicamento ainda tem uso restrito no sistema público, principalmente por causa do alto custo.
A parceria anunciada prevê a transferência de tecnologia da MSD para o Instituto Butantan ao longo de até 10 anos, permitindo que o medicamento passe a ser produzido no Brasil. A expectativa é que a produção nacional reduza custos e permita ampliar o uso no SUS, que hoje já oferece o tratamento para melanoma e avalia a incorporação para outros tipos de câncer.
Diferentemente da quimioterapia tradicional, que atua diretamente destruindo as células tumorais, as imunoterapias estimulam o próprio sistema de defesa do organismo a reconhecer e combater o câncer.
Em muitos tumores, as células cancerígenas desenvolvem mecanismos para “driblar” o sistema imunológico e evitar serem atacadas. Um dos principais envolve proteínas que funcionam como um freio das células de defesa.
Os medicamentos dessa classe – como o pembrolizumabe – atuam justamente bloqueando esses mecanismos, permitindo que o sistema imunológico volte a identificar e atacar o tumor.
Esse tipo de abordagem representa uma mudança importante na oncologia. Em alguns tipos de câncer, pode aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, embora os resultados variem conforme o tumor.
O pembrolizumabe é hoje o uma das imunoterapias com maior número de indicações aprovadas, com uso autorizado para 40 tipos de câncer no Brasil. O impacto, no entanto, varia conforme a doença.
Aprovado no Brasil, mas ainda restrito pelo custo
O medicamento já tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e é amplamente utilizado na rede privada e por planos de saúde. No SUS, porém, o acesso ainda é limitado.
Atualmente, a imunoterapia está incorporada ao sistema público apenas para o tratamento de melanoma avançado. Para outros tipos de câncer – como pulmão, mama, esôfago e colo do útero – o uso ainda depende de análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
Segundo o Ministério da Saúde, a decisão de incorporar novas terapias leva em conta não só os benefícios clínicos, mas também o impacto financeiro para o sistema.
Publicado por

Susi Cristo
jornalismo@universallfm.com.br
Publicado em: 27/03/2026, 16:06
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