Meteorologista alerta em entrevista à Rádio Universal para possível “Super El Niño” e risco de novos eventos extremos no RS
O meteorologista Piter Scheuer concedeu entrevista à Rádio Universal nesta terça-feira, 12, e fez um alerta sobre a possibilidade de formação de um “Super El Niño” ao longo de 2026. Segundo ele, o fenômeno pode ser um dos mais intensos já registrados, trazendo chuvas acima da média, temporais severos, enchentes e impactos diretos para a agricultura e a população do Rio Grande do Sul.
De acordo com Scheuer, as projeções climáticas indicam que o Rio Grande do Sul deverá enfrentar um período prolongado de instabilidade entre junho e dezembro deste ano. A previsão aponta acumulados de chuva próximos ou acima da média em praticamente todas as regiões do Estado.
– As projeções vêm indicando chuvas próximas ou acima da média ao longo dos meses de junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro. Até o final do ano, a chuva deve ficar acima da média – destacou o meteorologista.
Primavera pode concentrar os eventos mais severos
Segundo o especialista, o período mais preocupante deve ocorrer durante a primavera, quando o fenômeno climático tende a atingir seu auge. Ele explicou que o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial aumenta a evaporação e potencializa a formação de tempestades severas.
Scheuer afirmou que a combinação entre calor, umidade da Amazônia e perturbações atmosféricas deve favorecer a ocorrência de vendavais, granizo, chuva intensa e até tornados isolados no Sul do Brasil. “Nós vamos ter chuvas acima da média, o que deve trazer problemas associados a desabamentos de terra, queda de barreiras, enchentes e episódios de tempo severo”, afirmou.
Comparação com as enchentes de 2024
Durante a entrevista, Scheuer comparou o cenário projetado para 2026 aos eventos extremos registrados entre 2023 e 2024 no Rio Grande do Sul, período marcado por enchentes históricas no Estado.
Segundo ele, o atual fenômeno pode atingir intensidade semelhante ao El Niño de 1982 e 1983, considerado um dos mais fortes da história. “Esse El Niño é comparado com 82 e 83. Se isso se confirmar, podemos ter novas catástrofes ao longo deste ano”, alertou.
Agricultura pode ter ganhos, mas também enfrenta riscos
Ao falar sobre os impactos na agricultura, o meteorologista explicou que, historicamente, períodos de El Niño costumam favorecer a produtividade agrícola devido ao aumento das chuvas. Segundo ele, culturas agrícolas geralmente respondem bem à maior disponibilidade de água no solo.
– O excesso de chuva contribui bastante para a agricultura. Em épocas de El Niño, a agricultura sempre se dá bem – comentou.
Apesar disso, Scheuer ressaltou que os eventos extremos associados ao fenômeno podem provocar prejuízos importantes no campo. Entre os principais problemas citados estão o granizo, os ventos fortes e as dificuldades para realização da colheita em períodos prolongados de chuva.
– Tudo que é demais acaba trazendo transtorno. O granizo pode estragar plantações, os ventos danificam lavouras e muitas vezes a chuva não deixa o homem do campo fazer a colheita – explicou.
O meteorologista também destacou que a combinação entre frio e excesso de umidade pode favorecer o aparecimento de doenças nas culturas agrícolas, aumentando os desafios para os produtores rurais. “O problema é quando tem frio e chuva, porque isso traz doenças e umidade”, afirmou.
Críticas à falta de prevenção
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a necessidade de ações preventivas por parte do poder público. Scheuer afirmou que vem alertando sobre a possibilidade de um El Niño muito forte desde o ano passado e criticou profissionais que, segundo ele, estariam minimizando os riscos do fenômeno.
Para o meteorologista, é fundamental intensificar medidas como limpeza e dragagem de rios, retirada de famílias de áreas de risco e monitoramento constante das regiões vulneráveis. “Tem que haver cobrança para limpeza de rios, retirada de pessoas de encostas e áreas ribeirinhas. Não vai resolver totalmente o problema, mas pode minimizar os impactos”, disse.
“Não dá para fechar os olhos”, diz meteorologista
Ao encerrar a entrevista, Scheuer reforçou o alerta para que a população acompanhe as atualizações meteorológicas e esteja preparada para possíveis eventos extremos nos próximos meses.
– É um super El Niño muito forte, um dos mais fortes da história, e ele deve trazer chuvas intensas, tempo severo e tempestades mais frequentes – concluiu.
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Susi Cristo
jornalismo@universallfm.com.br
Publicado em: 12/05/2026, 15:17
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