Enchentes de 2024 atingiram meio milhão de hectares no RS

Enchentes de 2024 atingiram meio milhão de hectares no RS
(Foto: Divulgação)

Um estudo da Embrapa identificou, quantificou e caracterizou as classes de solo afetadas pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. A nota técnica, que será oficialmente divulgada nesta terça-feira, 9 de junho, mostra que a inundação alcançou cerca de 550,4 mil hectares em 94 municípios que decretaram estado de calamidade pública.

Segundo a Embrapa, a classe de solo mais afetada está associada principalmente às áreas de várzea e locais com dificuldade natural de drenagem, onde foram contabilizados 210,5 mil hectares inundados, o equivalente a 38,3% de toda a área atingida. Outra categoria fortemente impactada, comum em margens de rios e áreas frequentemente alcançadas pelas cheias, registrou 73,5 mil hectares afetados. Os números reforçam que as enchentes seguiram o curso natural dos rios e atingiram com maior intensidade os ambientes mais vulneráveis às inundações.

Entre os municípios mais atingidos proporcionalmente estão Nova Santa Rita, Esteio e Canoas, onde aproximadamente metade do território foi alcançada pelas águas. Em área absoluta, os maiores impactos foram registrados em Rio Grande, Cachoeira do Sul e Rio Pardo.

Além da análise dos solos afetados, a pesquisa consolidou uma base inédita de Áreas de Preservação Permanente (APPs) hídricas em todo o Estado. O mapeamento identificou cerca de 4,46 milhões de hectares dessas áreas, consideradas estratégicas para a conservação dos recursos hídricos e a redução da vulnerabilidade ambiental.

A maior concentração está na bacia dos rios Taquari, Jacuí, Pardo e Vacacaí, com aproximadamente 1,34 milhão de hectares. Também se destacam as bacias dos rios Passo Fundo, Várzea, Ijuí e Turvo, além dos rios Ibicuí e Santa Maria.

Para os pesquisadores da Embrapa, os resultados reforçam a necessidade de que a reconstrução do estado vá além da recuperação das áreas atingidas, incorporando ações de restauração ambiental, conservação do solo e da água e planejamento territorial voltado à adaptação às mudanças climáticas.

De acordo com a equipe técnica, o diagnóstico oferece subsídios para tornar o Rio Grande do Sul mais resiliente diante de futuros eventos climáticos extremos, contribuindo para a gestão sustentável das bacias hidrográficas e dos recursos naturais.

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Susi Cristo

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Autor: Susi Cristo

Publicado em: 08/06/2026, 11:13