Tornados já somam 81 registros no Brasil em 2026 e número ainda deve aumentar
O Brasil registrou 81 tornados até julho de 2026, segundo levantamento da Plataforma de Registro e Observadores de Tempestades Severas. A entidade, formada por meteorologistas voluntários, projeta que até o final de 2026 este número ainda pode ser ultrapassado e quebrar o recorde de 92 tornados – registrados no ano passado.
O levantamento aponta uma tendência de crescimento gradual nos registros de tornados no país desde 2018. Especialistas, no entanto, ressaltam que o aumento das ocorrências documentadas não pode ser associado diretamente às mudanças climáticas. Segundo os pesquisadores, o aumento se dá também pela capacidade da própria população estar registrando mais a ocorrência dos tornados com o aparelho celular, algo impossível em décadas passadas.
O primeiro tornado registrado no Brasil ocorreu na então Capitania de São Vicente, no litoral paulista, em 1570 e foi relatado pelo Padre Anchieta, segundo a professora Karin Linete Hornes, do Observatório de Tornados da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEFG). “Isso mostra que esses fenômenos não são recentes e o Brasil sempre teve tornados, mas eram muito subnotificados”, diz ela.
Estudos internacionais apontam o Brasil como o segundo país com maior propensão à ocorrência de tornados no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. Segundo o meteorologista da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Vitor Castilho, os avanços tecnológicos já permitem identificar condições favoráveis à formação de tempestades com antecedência de 24 a 48 horas. A previsão exata do ponto onde um tornado poderá tocar o solo, porém, ainda depende de uma estrutura mais moderna de monitoramento por radares, que não está disponível em toda a rede nacional.
Com doutorado em meteorologia pela Universidade de Oklahoma, nos Estados Unidos, Ernani Nascimento afirma que as pesquisas sobre tornados eram relativamente raras no Brasil até o início dos anos 2000. Desde então, o tema ganhou impulso com o surgimento de uma nova geração de especialistas. “Até cerca de 30 anos, havia trabalhos isolados, como os da professora Maria Assunção Faus da Silva Dias, da USP, uma das pioneiras na documentação de tornados no Brasil”, afirma Nascimento, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Influência do El Niño
Outro fator analisado pelos especialistas é a atuação do El Niño, fenômeno caracterizado pelo aumento da temperatura das águas do Oceano Pacífico e que pode provocar maior instabilidade atmosférica no Sul do Brasil. A expectativa é de que o fenômeno permaneça ativo pelo menos até o fim deste ano.
Para a meteorologista Rachel Albrecht, o El Niño “coloca mais combustível na atmosfera”, favorecendo condições para a ocorrência de tempestades severas. “Estamos assistindo a um aumento do número de tempestades severas. Se isso é consequência do El Niño, só saberemos mais para a frente, mas é provável que sim. Os anos de El Niño são mais ou menos um prenúncio de como será a mudança climática”, afirma.
Ainda, de acordo com a meteorologista, a Terra está passando por um período quente, que faz com que haja aumento dos temporais, dos vendavais, das ondas de calor, e das chuvas fortes também. Consequentemente, muitas vezes, dentro dos temporais, ocorrem essas micro explosões ou tornados", explica.

Suseli Cristo
jornalismo@universalfm.com.br
Publicado em: 12/08/2026, 14:56
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