Levantamento exclusivo apresenta o perfil dos feminicídios no RS
O Rio Grande do Sul registrou mais de 40 feminicídios entre janeiro e junho de 2026, segundo levantamento exclusivo realizado pelo Sul21. Os casos revelam um cenário marcado pela proximidade entre vítimas e autores, pela recorrência de antecedentes criminais e pela existência de históricos de violência anteriores em parte das ocorrências.
Do total de casos analisados, 86% envolveram algum tipo de relação afetiva entre a vítima e o autor. Em aproximadamente metade das ocorrências, o feminicida era companheiro da mulher, enquanto em 36% dos casos era ex-companheiro. Os dados reforçam o caráter predominantemente doméstico desse tipo de crime.
O cenário também aparece nos locais das ocorrências. Em 78% dos casos, o feminicídio ocorreu em ambiente doméstico, sendo que 28 mulheres foram mortas dentro da própria residência.
Outro dado que chama atenção é o histórico criminal dos autores. Pelo menos 20 dos 41 feminicidas identificados no levantamento possuíam antecedentes criminais, o equivalente a 48%. Entre os registros anteriores, os crimes de ameaça aparecem com maior frequência, seguidos por tráfico de drogas e roubo. Além disso, pelo menos oito autores tinham antecedentes relacionados a crimes considerados hediondos.
A violência anterior ao feminicídio, porém, nem sempre chega ao conhecimento das autoridades. Cerca de 45% das vítimas não tinham denúncia registrada contra os agressores, enquanto pelo menos 38% possuíam algum registro. Em 17% dos casos, essa informação não pôde ser confirmada.
As medidas protetivas também aparecem em uma parcela limitada dos casos. Apenas nove das 42 vítimas tinham uma medida protetiva ativa no momento do feminicídio, o equivalente a cerca de 21%. Pelo menos 23 mulheres, ou 55%, nunca haviam solicitado esse tipo de proteção.

Suseli Cristo
jornalismo@universalfm.com.br
Publicado em: 17/08/2026, 15:22
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