Presidente do Paraguai anuncia renúncia em meio a processo de impeachment

Presidente do Paraguai anuncia renúncia em meio a processo de impeachment
(Foto: Governo SP-Wikipedia/Divulgação)

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, comunicou nesta quinta-feira, 5, sua decisão de deixar o comando do país. O anúncio ocorre em meio à abertura de um processo de impeachment, em um cenário de crise envolvendo o sistema financeiro paraguaio.

Isolado politicamente e pressionado pelo próprio partido, que passou a defender sua saída, Peña justificou a decisão como uma medida em favor da estabilidade do país e da necessidade de “preservar nossas instituições”. A renúncia, no entanto, ainda depende da aprovação do Congresso Nacional paraguaio para ser oficializada, mas, caso seja aceita, a Presidência deverá ser assumida pelo atual vice-presidente, Pedro Alliana.

A crise política ganhou força após vir à tona a ligação de Peña com o Grupo Vázquez, controlador do Ueno Bank. O presidente foi acionista do grupo até março de 2025. A instituição financeira entrou em processo de resolução bancária depois que uma fiscalização identificou problemas em sua situação financeira, evidenciados após ajustes nos balanços.

Durante o pronunciamento, Peña também manifestou preocupação com os clientes da instituição e a recuperação dos valores depositados. Ele afirmou esperar que o mecanismo de garantia de depósitos cumpra sua finalidade e assegure a devolução dos recursos aos poupadores.

Na quarta-feira, 4, um dia antes do anúncio, o chefe do Executivo havia promulgado uma lei para agilizar o acesso dos clientes do banco aos valores protegidos pelo fundo de garantia de depósitos.

Mesmo após o anúncio da renúncia, a Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, a abertura do processo de impeachment contra Peña. Agora, caberá ao Senado decidir sobre o prosseguimento do processo e seus possíveis efeitos diante da saída anunciada pelo presidente.

A continuidade do julgamento tem implicações políticas importantes. No Paraguai, os ex-presidentes têm direito a ocupar uma cadeira de senador vitalício, com participação nos debates parlamentares, mas sem direito a voto. Essa prerrogativa não se aplica aos presidentes destituídos por impeachment, que perdem o direito ao cargo e ao foro privilegiado.

Susi Cristo

Susi Cristo

jornalismo@universalfm.com.br

Fonte: Com informações InfoMoney e Agência Brasil

Publicado em: 05/11/2026, 15:49