El Niño volta em 2026 e aumenta risco de ocorrências de eventos climáticos extremos

El Niño volta em 2026 e aumenta risco de ocorrências de eventos climáticos extremos
(Foto: Divulgação)

As análises climáticas mais recentes indicam o retorno do El Niño em 2026, com efeitos previstos já a partir de maio. Segundo a Climatempo, o fenômeno deve se intensificar ao longo do ano e pode apresentar características semelhantes às observadas em 2023, período marcado por extremos meteorológicos em diversas regiões do país.

De acordo com o meteorologista Vinicius Lucyrio, o aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial sugere um início acelerado do fenômeno. A expectativa, segundo ele, é de que o evento atinja intensidade de moderada a forte. Projeções da NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos) já apontam maior probabilidade de um El Niño moderado ou mais intenso entre agosto e outubro, intervalo que antecede o período em que o fenômeno costuma atingir seu pico, normalmente entre novembro e janeiro.

O principal ponto de atenção, conforme destaca a Climatempo, é o aumento da frequência e da intensidade de eventos extremos. O aquecimento das águas oceânicas e da atmosfera favorece tanto a ocorrência de temporais severos quanto de ondas de calor prolongadas, especialmente em áreas do interior do Brasil. O histórico recente reforça essa preocupação: 2023 e 2024 figuram entre os anos mais quentes já registrados globalmente, ambos sob influência do El Niño.

O El Niño altera de forma significativa os padrões de chuva e temperatura. No Brasil, o fenômeno costuma provocar irregularidade nas precipitações em grande parte do território, ao mesmo tempo em que intensifica os volumes no Sul. Em contrapartida, áreas do extremo norte, incluindo trechos da Amazônia e do Nordeste, tendem a enfrentar maior risco de estiagens severas.

Esse desequilíbrio atmosférico pode afetar diretamente atividades agrícolas, níveis de reservatórios e disponibilidade hídrica. A distribuição desigual das chuvas também amplia o risco de eventos críticos, como secas prolongadas em algumas regiões e enchentes em outras.

As projeções da Climatempo indicam que os meses de maio e junho ainda podem registrar incursões de ar frio mais abrangentes. Contudo, essa condição deve perder força gradualmente a partir de julho, à medida que o El Niño se consolida e o acoplamento entre oceano e atmosfera se intensifica.

No Sul do Brasil, o cenário projetado é distinto. A região tende a apresentar maior nebulosidade e aumento dos episódios de chuva já durante o inverno. A Climatempo alerta para a possibilidade de eventos mais abrangentes e intensos na primavera, incluindo temporais, formação de Complexos Convectivos de Mesoescala (CCMs) e risco elevado de enchentes.

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Susi Cristo

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jornalismo@universallfm.com.br

Publicado em: 11/02/2026, 16:03