Quebras na soja de até 80%: produtores do RS relatam lavouras perdidas

Quebras na soja de até 80%: produtores do RS relatam lavouras perdidas
(Foto: Divulgação)

A estiagem no Rio Grande do Sul já consolida perdas expressivas na safra de soja 2025/2026. Após um início de ciclo favorecido por chuvas bem distribuídas em dezembro, o cenário mudou de forma abrupta. A ausência de precipitações atingiu lavouras que entraram justamente na fase mais sensível do desenvolvimento: o período reprodutivo, decisivo para a formação e o enchimento de grãos.

Sojicultores afirmam que, no momento, há duas realidades. A região mais ao Sul está um pouco melhor, pois são lavouras plantadas mais tarde e com variedades de ciclo mais longo. Se a chuva normalizar agora, a quebra não deve ser tão grande e ainda existe algum potencial produtivo.

Mesmo assim, descartam qualquer expectativa de safra cheia. “O recorde está longe de acontecer, principalmente pelo baixo investimento do produtor, pela falta de crédito e de recursos. Se voltar a chover nesta semana e o clima normalizar, ainda dá para colher alguma coisa. Pelo menos pagar as contas do ano é o que o produtor espera”, explicam.

No Norte, porém, a situação é mais delicada. Nessas áreas, o plantio ocorre mais cedo e com cultivares de ciclo precoce. A combinação entre semeadura antecipada e variedades mais rápidas fez com que as lavouras atingissem o período reprodutivo exatamente no auge da estiagem.

O resultado já é considerado irreversível em diversas áreas do Norte gaúcho. Na região, há registros de soja morrendo e quebras de 70% a 80% em muitas lavouras. Mesmo que a chuva volte, é um prejuízo que já está na conta do produtor.

A previsão indica retorno da chuva a partir deste fim de semana, com volumes entre 30 e 50 milímetros e risco de temporais, com rajadas que podem superar 100 km/h. Ainda assim, os acumulados previstos são considerados insuficientes para reverter os danos já consolidados, especialmente nas áreas em enchimento de grãos.

Entre os dias 21 e 25 de fevereiro, a tendência é de novo predomínio de tempo quente e seco em praticamente todo o Rio Grande do Sul, o que pode aprofundar as perdas. Para os próximos 30 dias, o cenário indica chuvas irregulares, com volumes mais consistentes apenas no fim do mês e início de março, possivelmente tarde demais para lavouras já comprometidas.

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Susi Cristo

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jornalismo@universallfm.com.br

Publicado em: 12/02/2026, 14:53